
Eu me perco no tempo as vezes, revivendo momentos que são só meus, e me vejo então correndo naquela rua em que eu brincava com um tanto de meninos, sem maldade e sem entender porque eu não podia ficar no meio deles, se as brincadeiras dos meus irmãos com seus amigos eram tão mais divertidas do que as minhas bonecas; ah eu sempre preferi correr, me machucar, jogar bola, acampar no meio do mato, do que brincar de cozinhar. Me perco na casa da minha infância, onde eu fantasiava e passava a maior parte do meu tempo, em cada quarto, na sala, cozinha, em cada cômodo, cantinhos prediletos e nas árvores do quintal, na casinha do cachorro, que era pouco menor que o meu quarto e onde eu conseguia subir até o telhado, as vezes para simplesmente ficar lá a noite, observando estrelas, outras para pular para as madeiras que davam suporte a parreira, me perco no pé de amoras do quintal, de onde eu sempre descia com a roupa suja, no campinho onde os meninos gostavam tanto de jogar bola nos fins de semana enquanto eu tomava banho na ducha que ficava logo ali perto. Lembro-me dos churrascos de todo fim de semana, que meu pai fazia só com amigos mais chegados (já que vivíamos longe de todos os familiares), que vinham sempre com seus filhos com os quais eu adorava brincar, e mesmo que as vezes fosse um churrasco só para nós da casa, sempre dávamos um jeito de chamar o resto da vizinhança da nossa idade pra jogar War ou Banco Imobiliário ou inventar qualquer coisa. E o pai acabava sempre pegando no violão e tocando Belchior dentre outros que ele gostava, mas antes ouvia seus cds de cantores prediletos, junto com a mãe que parece ter adquirido o seu mesmo gosto e definitivamente nos passou de herança. Lembro-me do quanto nos divertíamos juntos, de como eu crescia feliz, e do quanto meus pais foram exemplo de respeito e amor para mim. Tinha dias que diziam ser dia de reunião, então sentávamos todos em volta da mesa, o pai sempre colocava um dos seus cds de Beethoven no som, fazíamos oração, líamos juntos a Bíblia, e um livro que tinha várias parábolas, ele sempre lia uma ou pedia que lêssemos, depois o pai comentava, perguntava se queríamos falar algo, e finalizava com uma oração do Pai Nosso. Dias bons, cheios de detalhes e significância, dias que não voltarão, poderia listar outros episódios talvez mais importantes para mim do q estes, mas foram os que neste momento me vieram na cabeça. . E tudo mudou tanto, eu cresci, eu vivi coisas q não pensava nunca q iria viver, conheci novas pessoas, mudei de casa, de cidade, de círculo de convivência (isto várias vezes), mudei de opinião, minha cabeça mudou e está em constante mudança, fiz novas amizades, mantive as verdadeiras, li novos livros, ouvi outras músicas. O q sei, é q não seria possível ser quem sou se momentos como estes não tivessem existido, ou se não estivessem vivos em minha memória, me moldaram do jeito q sou hj, claro q juntamente com muitos que os seguem. Lembro-me dos dias em que vi meu pai partindo, cada dia um pouco, e vi em minha mãe, uma força não vista por mim em ninguém. Hj vivo com lembranças, com saudades deste tempo, sinto falta do pai da minha infância, da minha adolescência, e q pouco presenciou a minha juventude, q hj mato as saudades em sonhos q constantemente tenho com ele, nos quais sempre o abraço muito, o beijo, e por vezes tenho o privilégio de receber alguns conselhos, sonhos dos quais acordo ainda sentindo o seu cheiro, como se ele tivesse acabado de estar ali do meu lado, sinto falta das nossas conversas, ele que parecia que sempre me entendia, e leio os livros q ele lia, q eu não dei muita importância qdo ele me falou para lê-los, e vejo o pq qria tanto q eu os lesse, ouço Enya e é o mesmo q vê-lo, e parece q posso entendê-lo melhor assim. E dpois q ele se foi, eu continuo buscando e lutando por planos q ele me ajudou a traçar, enxergo as coisas diferentes. Tenho dado mais valor a minha minha mãe e minha família, onde encontro a força q preciso para traçar objetivos q por vezes parecem altos para mim com a certeza de que com o apoio destes sou capaz de alcançá-los!
______________________________________Cecília Lima